Vida de dódis
Isabel de Assis Fonseca

"...Guilhermina é o nome da empregada doméstica que trabalha lá na casa da Paula, na verdade ela é diarista. E esse negócio agora de chamar empregada doméstica de secretária, já reparou? ..."
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  Ô, dó!
Isabel de Assis Fonseca

"...Ana chegou aos trinta anos com os sonhos dos vinte já meio caídos, mas a bunda grande ainda arrebita numa calça jeans daquelas que colam no corpo, sabe?..."
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  Pensão dispensada
Isabel de Assis Fonseca

"...Sentada na poltrona de couro marrom descascado, Donana assiste à TV com as pernas apoiadas numa cadeira para descansar as varizes, os braços estirados no encosto...."
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  A jornada de uma clarividente
Isabel de Assis Fonseca

"...Certo dia, Neiva estava indo trabalhar em seu caminhão, quando de súbito sentiu que havia atropelado alguém ao descer a avenida principal da Cidade Livre. Ela freou bruscamente no meio da pista. Um guarda que estava ali perto se aproximou para ver o que estava acontecendo e ouviu Neiva, assustada, dizer: “passei por cima de alguém”. Ele procurou em volta, debaixo do caminhão e ao longo da pista, mas não viu ninguém. Olhou para Neiva e disse: “procura um terreiro, morena. Não tem nada aqui”. ..."
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  O caderninho de perguntas
Isabel de Assis Fonseca

"...Não adiantou tentar me esconder. Ele veio como um furacão arrombar as portas e janelas, revirar meu espaço, jogar tudo para o alto. Depois foi embora, levando as horas que caíram do meu bolso quando eu corria apressada atrás da vida. Levou também os anos preciosos que guardei na caixinha esperando a ocasião especial para usá-los. Não contente, deixou marcas no meu corpo...."
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  Crisália*
Isabel de Assis Fonseca

"...Alguém lá embaixo dedilha os primeiros acordes da viola. O bumbo chama a atenção de todos com seu tom grave e intenso. ♫Sólo le pido a Dios. Que el dolor no me sea indiferente. Que la reseca muerta no me encuentre. Vacía y sola sin haber hecho lo suficiente♫...."
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  Decifrando Mania
Isabel de Assis Fonseca

"...As cigarras machos, como adolescentes eufóricos que acabam de descobrir o mundo lá fora, entoam seus timbales, exibem seus músculos abdominais expandidos e cantam para encantar as fêmeas. É a sinfonia do acasalamento explícito que se apresenta logo cedo, em mais uma manhã de sábado de sol...."
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  Manhêeeeeeee!
Isabel de Assis Fonseca

"...São dez horas da manhã de um domingo frio e seco, apesar do céu que se abre escandalosamente lá fora. Bem a cara de Brasília esse tempo. Quase ouço os estalos dos troncos retorcidos das árvores que compõem a paisagem da minha janela. Suas folhas, maquiadas de poeira, se preparam para a festa do sol de todo dia...."
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  Bem me quer, quem me der a Quem-me-quer
Isabel de Assis Fonseca

"...De vez em quando abro o velho baú das lembranças e me recupero. O baú das cartas que vieram de longe, dos bilhetinhos trocados, dos brinquedos de criança, das fotos amareladas......"
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