Negro forte

Eu não nasci na corte

Mas das feridas do corte

Sou negro forte

Não preciso de sorte

Pra sobreviver

 

A minha raça

É toda cheia de graça

Não há mau-olhado que faça

Minha cor se ofuscar

Por isso, digo sem zelo

Não faço apelo

E meus cabelos

Não preciso esticar

 

Eu não nasci na corte

Mas sei fazer belo porte

Sou negro forte

Não preciso de aporte

Pra sobreviver

 

A minha esperança

É a dose certa pra cura

Esquivo das amarguras

E passo rasteira

Na vida sem eira nem beira

Nos braços da capoeira

Sinto a paz me embalar

 

Meu grito é o canto

Meu disfarce, o santo

Me afaga o pranto

Que cai cativeiro

Ao som do pandeiro

Sou mais um guerreiro

Me enfeito em floreios

Pra te conquistar

 

E sigo caminho

Dou sempre um jeitinho

Vou sem colarinho

Pra me apertar

E nessa quizomba

Danço o miudinho

Pois do seu ladinho

Vou me encontrar

 

Eu não nasci na corte

Mas das sombras da morte

O passado é meu norte

Sou negro forte

Não há dor que eu não suporte

Pra sobreviver

Isabel de Assis Fonseca,  7/31/2007.
 

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Comentários:
   
  De: Bel
Em: 9/13/2007 6:26:53 PM
Ei, primaaaaa! Ai, fico tão feliz que tenha gostado. De coração. Valeu mesmo. Amoooocê! Beijão.

  De: Christiane
Em: 9/13/2007 3:56:39 PM
Nossa !!!!!! Que poema lindo..e que homenagem maravilhosa .... Quanto orgulho sinto de vc minha prima querida ! Parabéns!! Te amo!

  De: Elisa
Em: 8/2/2007 1:22:59 PM
Afff que esse poema é forte! Adoro ler essa palavras que saem de você

  De: Bel
Em: 8/2/2007 11:44:21 AM
Amigos, que bom que vieram ao Beleleo. Firmo, que belas palavras. Marcinha, você tem toda razão. Tenho que encontrar meu lugar. E vou encontrar logo, logo. Beijocas para todos.

  De: Marcinha
Em: 8/2/2007 9:23:54 AM
Belzinha, você não pode ficar na mesmice e na hipocrisia diária do jornalismo de uma redação. Vai traçar sua rota, muié. Tenha fé. Tô do seu lado. Beijoooooooooo.

  De: humberto firmo
Em: 8/2/2007 8:54:39 AM
Ouço o canto do Quilombo A afrociberdelia do forte em seus poema. Ouço a voz do negro no engenho, moendo a própria vida como bagaço. Mas, forte, levanta-se para mostrar-se ao mundo. Bel, como num quilombo, tua voz também se levanta e diz basta ao movimento da moenda escravagista.

  De: rô
Em: 7/31/2007 9:13:20 PM
Tamanha motivação é poder se perceber mediador do mundo.Ver o horizonte acompanhado do sol que tem o tamanho de um pé.E ver o novo a cada dia num movimento eterno e sem fim pois quem não espera o inerperado não o achará;Que esse é inexplorável e inacessível...Depois da morte, o que aguarda os homens não esperam nem imaginam eles.

  De: Fadua
Em: 7/31/2007 8:36:53 PM
Nossa, Bel! Bom demais!! beijos!!!

  De: Fernando
Em: 7/31/2007 8:08:22 PM
Muito bonito Bel, parabéns!!!

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